Aos 10 anos de idade, João Miguel, natural de Várzea Grande, não apenas defendeu o gol do Internacional na Copa São Ludgero Sub-11, ele conquistou corações. Com 1,59 m de altura e uma frieza digna de goleiros veteranos, o menino foi eleito o melhor jogador do torneio realizado em Santa Catarina no último mês. Mas o que mais chamou atenção não foi só sua atuação debaixo das traves: foi a história de luta, fé e família que o acompanha.
“Ele sempre gostou de bola. Desde que começou a andar, já brincava com ela. Meu pai, quando viu que o João era o único neto homem, correu e comprou uma bola. Foi ali que tudo começou”, conta, emocionada, a mãe do jovem, Geice Kely.
A trajetória que hoje se desenha como promissora teve início em escolinhas de Várzea Grande. Aos sete anos, João já era campeão de futsal pelo Colégio Êxito. Depois, vieram olheiros, convites, testes no Corinthians, Fluminense e, por fim, o Internacional, clube onde hoje treina e representa com orgulho.
“Mas nunca foi algo planejado. A gente não falava: ‘Você vai ser jogador’. Ele foi levado pelo avô para treinar e foi se apaixonando cada vez mais. Tudo aconteceu naturalmente, com amor”, relembra Geice.
A família largou tudo para viver o sonho do garoto. Empregos, casa, rotina e os laços com a família ficaram em Mato Grosso. No Rio Grande do Sul, começaram do zero, com ele, o pai, a mãe e duas irmãs.
“Foi um sacrifício imenso. Mas foi um sacrifício por amor, sabe? Muitas vezes pensamos em desistir. Chegamos aqui e nos primeiros meses pensamos: ‘Vamos embora’. E o João? Ele dizia: ‘Mãe, pai, eu não quero voltar. Eu quero ficar’. E a gente ficou. Pela força dele, pela fé dele.”
Hoje, a distância pesa. São 2.000 quilômetros longe dos pais, irmãos, sobrinhos. Mas a certeza de que estão no caminho certo fortalece a família.
A mãe se emociona quando fala da fé que move cada passo dessa jornada. “Não é fácil. Mas o amor e o apoio da família são o que mantêm as portas abertas. O futebol pode abrir caminhos, mas é a base, o caráter, que sustenta tudo.”
Para outras mães, ela deixa um recado: “Acreditem nos seus filhos. Mesmo quando parecer impossível. Vão ter dias de sol e de tempestade. Mas estar presente, incentivar, participar, é isso que faz o sonho deles continuar vivo.”
Enquanto os olhos do país se voltam para ele como promessa do futebol brasileiro, João Miguel mantém os pés no chão e as mãos prontas para defender muito mais do que gols: ele defende um sonho.
Com postura serena, técnica apurada e coragem para enfrentar desafios maiores do que ele, João Miguel se destaca entre os demais atletas da sua idade. O tamanho impressiona, mas é a postura que encanta. “Ele é persistente. Tudo o que ele faz, ele faz com coração, com responsabilidade”, conta a mãe. “Ele é muito carinhoso, pensa sempre no futuro. Sonha em vestir a camisa da Seleção Brasileira e ajudar toda a família.”
Um futuro em construção
João Miguel ainda é um menino. Mas seu olhar é de quem enxerga longe. Não apenas dentro de campo, onde já mostra reflexos e leitura de jogo invejáveis, mas também fora dele, onde sabe o peso do que carrega: o sonho de uma vida, o esforço de uma família, e a esperança de quem acredita que, com amor, fé e sacrifício, tudo é possível.