domingo, agosto 31, 2025

Em Cuiabá, presidente do Supremo desmistifica estado de ‘polarização’ e aponta que condição é de extremismo

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luís Roberto Barroso, desmistificou o momento de polarização no Brasil. Ele defendeu que o que vem acontecendo nos últimos anos no país e em outras regiões do globo é uma prática de extremismo, radicalismo e de uma incapacidade de aceitar o pensamento do outro. A defesa do ponto de vista foi feita em evento na Capital, na manhã desta segunda-feira (18), depois de participar de uma conversa com estudantes da Escola Estadual Liceu Cuiabano.

“O que eu gosto de dizer é que polarização sempre existiu na história do mundo. As pessoas pensam diferente, têm visões diferentes da vida, e é bom que seja sim. Pensamento único só existe nas ditaduras. O que aconteceu em muitas partes do mundo e no Brasil inclusive, nos últimos tempos, não foi a polarização de visões diferentes. Foi o extremismo, o radicalismo, a incapacidade de aceitar o outro, essa ideia incorreta de que quem pensa diferente de mim só pode ser um cretino completo a serviço de alguma causa escusa. Essa não é uma boa forma de viver a vida”, ponderou.

Desde a campanha de 2018, quando houve eleições gerais no país e os eleitores se dividiram de forma mais radical entre esquerda e direita, o clima de tensão se acirrou, resultando em atos de vandalismo Brasil afora para defesa intransigente de pontos de vista, inclusive com desentendimentos políticos que culminaram em assassinatos.

Para o ministro, o momento de maior radicalismo é passageiro. “Eu acho que em breve nós vamos superar o quadro mais turbulento… Uma vida democrática não é uma vida feita de consenso, mas é uma vida feita de colocação de argumentos na mesa e a capacidade de ouvir o outro com respeito e consideração, depois de votar. Então, o que nós perdemos foi essa civilidade, essa capacidade de conviver com a diferença sem ofender, sem desqualificar, sem destilar ódio. Eu tenho vivido a minha vida para tentar superar isso”.

Quando questionado sobre uma suposta ‘ditadura do Judiciário’ sob a qual o Brasil estaria submetido na atualidade, com decisões consideradas exageradas, Barroso foi cirúrgico ao argumentar que o país está longe de viver qualquer tipo de ditadura.

“Só afirmará isso (ditadura do Judiciário) quem não tenha vivido numa ditadura na vida. As ditaduras são regimes políticos onde há absoluta falta de liberdade e há tortura, censura e há pessoas que vão para o exílio, há pessoas que são aposentadas compulsoriamente. Nada disso acontece no Brasil. Então, aqui, é uma retórica que eu considero imprópria e injusta com quem viveu e enfrentou uma ditadura”, explicou.

“Claro que você pode descordar de decisões do governo, de decisões do Supremo. Eu, por exemplo, sou um leitor de jornais e de sites de notícias de todos os espectros políticos, vejo as críticas mais contundentes em relação ao governo, em relação ao Supremo, em relação ao Congresso. E em ditaduras não acontecem coisas assim”, acrescentou o ministro.

Por fim, deixou claro o papel que o Judiciário desempenha na estrutura institucional brasileira. “Vive de interpretar a Constituição e aplicar as leis. Às vezes, as turbulências políticas elas afetam o mundo de uma maneira geral, mas nosso papel é interpretar a Constituição, as leis e resolver litígio. Esse é o papel do Judiciário, é o que o Judiciário faz”.

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