domingo, agosto 31, 2025

TJ manda soltar investigado que alegou ter ‘família e bebê-recém nascido’

Compartilhar

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Wesley Sanchez Lacerda, determinou a soltura do empresário e corretor de imóveis Lucas Goudinho e Gonçalves, detido na Operação Datar. A ação, deflagrada na última quinta-feira (14), desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas, com movimentações que ultrapassam R$ 185 milhões.

Conforme os autos, a defesa, patrocinada pelo advogado Paulo José, impetrou recurso alegando “constrangimento ilegal” e ausência de requisitos para a prisão preventiva, citando que o investigado “possui família, inclusive uma filha recém-nascida, que depende de seu trabalho”.

Em sua decisão, o desembargador verificou que a investigação envolve movimentações financeiras suspeitas ocorridas entre 1 de janeiro de 2015 e 19 de dezembro de 2023, fatos que teriam terminado quase dois anos antes da decretação da prisão preventiva do paciente, em 17 de julho de 2025.

Embora reconheça que os fatos em apuração sejam “graves e demandem aprofundamento das investigações”, Sanchez entendeu que as medidas cautelares diversas da prisão são suficientes e adequadas no presente caso.

“Embora os fatos em apuração sejam, de fato, graves e demandem aprofundamento das investigações, a situação específica do paciente não autoriza a manutenção da prisão preventiva, ao menos neste momento processual, sobretudo porque a própria decisão constritiva não o aponta como um dos principais investigados no esquema criminoso, bem como não há notícias de prática de novos crimes após o ano de 2023. […] Do exposto, DEFIRO a liminar vindicada para revogar o decreto preventivo, com a imposição das seguintes medidas cautelares diversas do cárcere”, determinou.

O empresário está proibido de manter contato com outros investigados e de se ausentar da comarca.

O caso

De acordo com os autos, a investigação teve início com ofícios da 18ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá, que requisitaram informações sobre Relatório de Inteligência Financeira (RIF) emitido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). O relatório estava vinculado a um inquérito policial anterior que resultou no indiciamento e denúncia de Diego de Lima Datto e Patrike Noro de Castro por tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Os relatórios evidenciaram a incompatibilidade entre os rendimentos formais e as vultosas movimentações financeiras, bem como o uso de interpostas pessoas e empresas de fachada.

Em relação a Lucas foi apontado que supostamente participaria da rede de movimentações financeiras atípicas com os principais investigados. Ele teria movimentado R$ 23.100 entre débito e crédito com Diego e outros R$ 12 mil com Patrike em valores fragmentados.

Ele responde a processo criminal por associação ao tráfico de drogas e tem uma condenação de 4 anos, o qual responde em regime aberto.

Recentes

Mais Lidas