quarta-feira, maio 20, 2026

Justiça acolhe pedido do MP e decreta perda de cargo de investigador condenado por morte de PM

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Rayan Borges

O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou a perda do cargo do investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pelo assassinato do policial militar Thiago Souza Ruiz. A decisão atende a um pedido do Ministério Público (MP), apresentado após o julgamento no Tribunal do Júri na semana passada.

Mário Wilson foi condenado a dois anos de prisão pelo homicídio do PM. Durante o julgamento, o réu confirmou que agiu na condição de policial civil, o que, segundo a decisão, evidenciou “abuso de poder ou violação de dever funcional”.

No pedido, o MP alegou que a perda da função pública deve ocorrer em condenações superiores a um ano para crimes dessa natureza, conforme prevê o Código Penal.

Em sua decisão, o magistrado afirmou que o pedido do MP era cabível para sanar uma omissão na sentença inicial, pontuando que a perda do cargo público não possui efeito automático e exige fundamentação específica. Para o juiz, os requisitos legais foram preenchidos, já que o próprio policial admitiu que, no momento do crime, estava em serviço investigando suspeitos de envolvimento com drogas.

“A prova produzida em plenário e a própria fundamentação lançada na sentença condenatória evidenciam que o acusado extrapolou gravemente os deveres inerentes à função pública”, destacou o magistrado, completando que a atividade policial exige comportamento compatível com a legalidade, prudência e equilíbrio emocional.

“Ante o exposto, acolho os embargos de declaração opostos pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso para sanar a omissão apontada e declaro, como efeito da condenação, a perda do cargo público exercido pelo réu Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves”, concluiu.

Nova denúncia

Na segunda-feira (18), o MP anunciou que Mário Wilson também foi denunciado por tentativa de homicídio qualificado contra um colega de corporação, o também investigador Walfredo Raimundo Adorno Moura Júnior. Durante o julgamento, Walfredo revelou que também foi alvo dos disparos efetuados pelo condenado na noite do crime.

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