Rayan Borges
Alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6), o deputado federal Fábio Garcia (União) teve o nome homologado para ocupar a vice na chapa do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Como o registro ainda não foi protocolado na Justiça Eleitoral, a investigação reacendeu os bastidores políticos e gerou rumores sobre uma possível troca na composição.
As siglas União e Republicanos têm até as 19h do dia 15 de agosto para apresentar o pedido formal ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Até o momento, o deputado não se manifestou individualmente, e o grupo político não informou se reavaliará a composição.
O prazo, contudo, não permite que os partidos alterem a chapa arbitrariamente. Como Fábio foi escolhido em convenção, qualquer substituição precisa seguir a legislação eleitoral, o estatuto das legendas e as normas das atas partidárias. Uma das hipóteses legais para a troca é a renúncia do candidato. A operação policial, por si só, não gera inelegibilidade nem retira o parlamentar da disputa.
Mesmo após o registro formal, a lei eleitoral autoriza trocas em situações específicas — como renúncia, falecimento, cassação ou indeferimento da candidatura —, desde que o pedido ocorra dentro do prazo legal, em regra até 20 dias antes do pleito.
A indicação de Mauro Mendes
Fábio Garcia consolidou-se como vice após o grupo do ex-governador Mauro Mendes vencer a disputa interna no União Brasil contra o senador Jayme Campos, por 30 votos a 19. Com o resultado, a Federação União Progressista decidiu apoiar a reeleição de Pivetta e indicar o vice.
Ex-chefe da Casa Civil e aliado de primeira hora de Mauro, Fábio pretendia disputar a reeleição para a Câmara, mas aceitou o chamado do grupo. A escolha manteve a vice sob influência do ex-governador e selou a aliança entre Republicanos e União Progressista. Qualquer alteração no nome reabriria disputas internas recém-pacificadas.
Operação Heritage
A Polícia Federal apura o suposto desvio de mais de R$ 308 milhões em um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi. Além de Fábio Garcia, a operação mira Mauro Mendes, familiares de ambos, um conselheiro do CNJ e outros operadores financeiros.
Ao todo, a PF cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, acompanhados da quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueio de bens, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre investigados. A suspeita é de que o pagamento tenha sido desviado por meio de fundos de investimento em cascata. As condutas podem configurar lavagem de dinheiro, peculato, organização criminosa, crimes financeiros e uso de informação privilegiada.
Até o momento, Fábio Garcia figura apenas como investigado, sem denúncia formal ou condenação.
Aliados já previam desgaste
Interlocutores do núcleo político de Mauro e Fábio afirmam que o grupo já considerava a operação provável e havia pactuado “segurar a pressão” sem retirar candidaturas.
O clima de tensão aumentou após a circulação de um áudio atribuído à irmã de Jayme Campos, Márcia Campos, prevendo prisões no grupo adversário. A autoria e a origem da gravação não foram confirmadas oficialmente, e não há indícios de que os investigados soubessem da data da ação policial.
O caso já vinha sendo explorado pelo ex-governador Pedro Taques (PSB), candidato ao Senado e opositor do grupo, que apresentou representações a órgãos de controle sobre o pagamento à Oi. As acusações renderam disputas judiciais movidas pelo União Brasil. Embora a deflagração da operação amplie a pressão política sobre a chapa, ela não confirma, por si só, as acusações levantadas na pré-campanha.

