A deputada federal Gisela Simona (União) é a candidata a vice-governadora na chapa do grupo governista liderada por Otaviano Pivetta (Republicanos). O anúncio, feito pela assessoria da parlamentar, oficializa a reestruturação no Palácio Paiaguás poucas horas após a desistência de Fábio Garcia (União), que disputará a reeleição à Câmara dos Deputados.
A mudança na chapa foi motivada pelos desdobramentos da Operação Heritage, da Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema de desvio de cerca de R$ 308 milhões referente a pagamentos de acordos com a operadora de telefonia Oi. Entre as medidas cautelares impostas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), está a proibição de comunicação direta entre os investigados, o que inclui o deputado Fábio Garcia, o ex-governador Mauro Mendes (presidente estadual do União) e o ex-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho.
A impossibilidade de diálogo direto paralisou a articulação política da campanha e forçou um acordo de emergência. Diante do impasse, Mendes concedeu autonomia a Pivetta para definir o novo nome da vice, sem interferências. O cenário culminou também na exoneração de Mauro Carvalho do comando da Casa Civil, oficializada enquanto os bastidores se desenrolavam nesta terça-feira (11).
Advogada e fiscal de defesa do consumidor de carreira, Gisela Simona construiu projeção estadual ao dirigir o Procon de Mato Grosso (Procon-MT) por nove anos. Ganhou força eleitoral no pleito municipal de 2020, ao disputar a Prefeitura de Cuiabá com uma plataforma voltada à transparência e ao combate à corrupção. Em 2022, concorreu a deputada federal pelo União Brasil, assumindo o mandato com atuação focada nos direitos do consumidor e na representatividade feminina.
A indicação de Gisela atende a exigências estratégicas do grupo: preserva a aliança com o União Brasil na vaga de vice e insere no projeto majoritário um nome sem conexões com as investigações da Operação Heritage. A escolha busca garantir estabilidade à candidatura de Pivetta, reforçar a interlocução com o eleitorado da Grande Cuiabá e afastar o desgaste de imagem gerado pelo cerco policial e judicial.

