quinta-feira, 15 de outubro de 2026

“Não dá pra aguentar”: suplente revela pressão de titular e entrega mandato na Câmara de Cuiabá

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Rayan Borges

O vereador suplente Antônio Lemes (PSD) protocolou sua renúncia ao mandato que ocupava na Câmara Municipal de Cuiabá desde julho deste ano, período em que substituiu o titular Pastor Jeferson Siqueira (PSD). A carta de renúncia foi lida em plenário durante a sessão desta quinta-feira (15) e passará a ter efeito oficial a partir do dia 19 de outubro.

“Venho por meio deste comunicar que estou renunciando ao mandato de vereador. Declaro que esta decisão é tomada de forma livre, consciente e espontânea”, registrou Lemes no documento formal entregue à Mesa Diretora.

Bastidores e pressão por voto na Mesa Diretora

Em discurso na tribuna, Lemes explicou que a decisão foi motivada por fortes pressões políticas exercidas pelo titular do cargo durante a disputa interna para a eleição da nova Mesa Diretora da Casa. Enquanto Jeferson Siqueira apoiava a candidatura de Ilde Taques (Podemos) — que acabou saindo vitorioso —, Lemes defendia abertamente a reeleição da atual presidente, Paula Calil (PL).

“Decidi apoiar a candidatura da Paula até quase o fim porque meu compromisso não é com a parte financeira, mas com a comunidade e com os quase 2 mil votos que recebi. Já sofri com a falta de asfalto e de esgoto; para mim, não há satisfação maior do que estar no Parlamento representando o povo”, declarou Lemes.

Segundo o suplente, mesmo após ter alinhado seu voto a Ilde Taques no pleito final, Siqueira exigiu seu retorno à suplência.

“(O Pastor Jeferson) não tem o direito legal de me tirar desta cadeira, mas, por uma postura política e por diálogo, optei por atender ao pedido dele. Jamais renunciaria neste último mês, pois ainda tinha muitos projetos a encaminhar”, pontuou.

Lemes negou ter sofrido ameaças diretas, mas descreveu um ambiente de constante desgaste emocional:

“Não houve ataques pessoais por parte do Pastor Jeferson, mas sim uma pressão política insistente, de diálogo diário, que se tornou insustentável. Cheguei a tirar foto com o outro grupo porque não aguentava mais cobranças na porta da minha casa e no telefone. Fiz isso para ter tranquilidade até o dia da votação. Mesmo assim, por não ter comparecido a um almoço do grupo, fui repudiado pelo Jeferson, que me pediu a renúncia. Saio de cabeça erguida.”

Balanço do mandato e apoio da Presidência

Ao fazer um balanço de sua passagem pelo Legislativo cuiabano, o parlamentar avaliou que deixa um legado positivo, com foco na infraestrutura de bairros da capital.

“Fico satisfeito com esses três meses de trabalho que completarei no dia 19. Levei diversos serviços e melhorias para a comunidade. Sei que nosso dever primário é legislar, mas precisamos de parcerias com o Executivo municipal para sermos a voz do cidadão, especialmente da Região Norte.”

A presidente da Câmara, vereadora Paula Calil, elogiou a postura do suplente durante o período no cargo e destacou o apoio do seu gabinete para dar continuidade às pautas levantadas por ele.

“Reconhecemos os direitos do titular, mas também valorizamos o trabalho do suplente. O gabinete da Presidência continuará de portas abertas para acompanhar suas demandas no que for necessário”, concluiu a parlamentar.

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