Da Redação
O juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo do Juiz das Garantias de Cuiabá, estabeleceu um prazo de 30 dias para a Controladoria-Geral do Município auditar duas emendas impositivas do vereador afastado Chico 2000 (sem partido). As emendas, que somam R$ 1 milhão, são o foco da Operação Gorjeta, deflagrada na última semana.
Detalhes das Emendas sob Suspeita
Os recursos foram destinados ao Instituto Brasil Central (Ibrace) para a realização de eventos esportivos no ano passado, via Secretaria Municipal de Esportes:
36ª Corrida Bom Jesus de Cuiabá: R$ 600 mil.
6ª Corrida do Legislativo: R$ 400 mil.
Esta decisão amplia as investigações na Câmara. Anteriormente, o magistrado já havia ordenado auditorias em outras 12 emendas parlamentares (totalizando R$ 4,8 milhões) sob suspeita de irregularidades, mas com um prazo mais extenso de 120 dias.
O Esquema e a Operação Gorjeta
Segundo a Polícia Civil, um grupo formado por servidores, empresários e parlamentares se associou para direcionar emendas ao Ibrace. Parte do dinheiro público era supostamente “devolvida” a Chico 2000.
Números da Operação:
R$ 5,5 milhões: Valor total enviado ao Ibrace por seis vereadores (Chico 2000, Luiz Fernando, Kássio Coelho, Wilson Kero Kero, Lilo Pinheiro e Dídimo Vovô).
75 ordens judiciais: Incluindo buscas, apreensões e quebra de sigilo de dados.
Bloqueios: R$ 676 mil congelados e sequestro de bens (veículos, embarcação e imóveis).
Câmara se divide sobre pedido de cassação
O retorno dos trabalhos na Câmara Municipal de Cuiabá foi marcado pelo debate sobre o pedido de cassação de Chico 2000, protocolado pelo advogado Julier Sebastião (PT) por quebra de decoro. A decisão agora depende de um parecer da Procuradoria-Geral da Casa para seguir ao plenário.
Posicionamentos dos Parlamentares:
Cautela e Legalidade: Vereadores como Ranalli (PL) e Daniel Monteiro (Republicanos) defendem prudência. Relembram que Chico 2000 já foi afastado anteriormente e conseguiu retornar ao cargo judicialmente. Monteiro classificou o pedido como “eleitoreiro”.
Materialidade: A vereadora Maysa Leão destacou que a Câmara não pode atuar como “justiceira” e exige provas concretas antes de abrir o processo, embora admita que a situação prejudica a imagem da instituição.
Favorável ao Processo: A vereadora Samantha Iris (PL) argumenta que, se os critérios legais forem preenchidos, a investigação interna deve avançar independentemente do desfecho no Judiciário.
Histórico de Controvérsias
O pedido de cassação sustenta que Chico 2000 acumula desgastes graves:
Operação Perfídia (abril/2025): Acusado de negociar propina de R$ 250 mil.
Operação Gorjeta (atual): Suspeita de desvio e retorno de verba de emendas.
Investigação da PF: Suspeita de compra de votos nas eleições de 2024.

