terça-feira, fevereiro 10, 2026

Aporte para pagar transfer ban causou momento de maior tensão de Textor no Botafogo

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GE

O aporte financeiro que encerrou o transfer ban do Botafogo foi o motivo de maior tensão nos bastidores alvinegros desde que John Textor se tornou dono da SAF, no início de 2022. O processo de aprovação evidenciou divergências entre lideranças. O representante do clube social votou nulo para a entrada do dinheiro, enquanto o CEO da SAF, Thairo Arruda, renunciou ao cargo.

Para receber esse aporte, Textor precisava da maioria em uma votação no Conselho de Administração da SAF do Botafogo. O conselho é composto por John Textor, Durcesio Mello (ex-presidente e representante do associativo), Kevin Weston e Jordan Eliott Fiksenbaum.

Weston e Fiksenbaum são próximos de Textor. O dono da SAF conseguiu a maioria dos votos no conselho, mas Durcesio votou nulo. A decisão do ex-presidente reforça que houve discordâncias entre as partes sobre o aporte. Nas últimas semanas, o associativo contratou o BTG para uma assessoria estratégica com o objetivo de alinhar os próximos passos com a SAF. No dia 2, Textor disse que a única pendência para o dinheiro cair era o clube social.

ge apurou que os principais motivos para o voto nulo do associativo foram os juros — considerados abusivos — e as garantias dadas por Textor aos novos investidores, GDA Luma Capital e Hutton Capital. Vale destacar que, em recente entrevista ao ge, Textor mencionou que os novos investidores gostariam de uma unanimidade.

— É importante que você tenha aprovação de todos na organização. O novo capital (investidores) gosta de saber que todos estão a bordo. Ninguém quer financiar uma nova situação na qual você tem um parceiro significativo, como o clube social, que não esteja a par de todos os documentos, e não entenda o porquê de estar acontecendo. Nenhum investidor neste tipo de situação gostaria que questionassem a validade do aporte, dos documentos. E isso é bastante habitual. Ninguém quer financiar (uma situação) com votos distintos. É um requisito bastante comum entre pessoas com bastante capital em jogo — disse Textor, no dia 2, ao ge.

Fontes relataram que, nesse empréstimo, há uma cláusula que prevê, futuramente, a conversão da dívida em participação societária na SAF Botafogo. No entanto, para que isso ocorra, o presidente do clube social, João Paulo Magalhães, precisa assinar um documento autorizando esse movimento.

As condições para o aporte também foram a razão do embate entre Textor e Thairo Arruda, que deixou o clube na última sexta-feira. Com a renúncia de Arruda e a aprovação do Conselho de Administração, Textor ficou com o caminho livre e foi o responsável por assinar o documento referente ao empréstimo. A saída faz com que Danilo Caixeiro — antigo sócio de Thairo e diretor-gerente da SAF — se aproxime do americano.

O empréstimo de 25 milhões de dólares — cerca de R$ 130 milhões — caiu na conta do Botafogo logo após as questões burocráticas serem resolvidas. Na sexta, Textor destinou 10 milhões de dólares — cerca de R$ 52 milhões — para derrubar o transfer ban, pagando a primeira parcela ao Atlanta United pela contratação de Thiago Almada. Agora, com dinheiro em caixa, o clube olha para o mercado.

O Botafogo entrou em acordo com o Atlanta United e pagará as pendências de bônus por metas e o valor referente à transferência de Almada para o Atlético de Madrid. Para quitar a dívida, faltam 20 milhões de dólares — cerca de R$ 104 milhões —, que serão parcelados em quatro vezes. Caso as parcelas não sejam pagas corretamente, o Atlanta vai acionar a Fifa novamente.

Há a previsão de que esse aporte chegue a 50 milhões de dólares — cerca de R$ 260 milhões —, o que significa a entrada de outros 25 milhões de dólares nos próximos meses.

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