Da Redação
O Governo de Mato Grosso recuou da decisão de desocupar a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá e confirmou, nesta quarta-feira (11), que manterá a gestão estadual na unidade. Mais do que a permanência, o governador Mauro Mendes (União) anunciou que o Estado apresentará uma proposta para a aquisição definitiva do prédio.
A mudança de planos ocorreu após estudos técnicos apontarem a impossibilidade de transferir todos os atendimentos para o novo Hospital Central ou para o Hospital de Câncer de Mato Grosso.
“Vamos apresentar uma proposta para a aquisição definitiva da Santa Casa e definir quais outros serviços serão ofertados no local”, afirmou o governador, ressaltando que a prioridade é não deixar a população desassistida.
O entrave na migração de serviços
Originalmente, o Estado planejava entregar o prédio à Justiça do Trabalho assim que o Hospital Central entrasse em operação. No entanto, serviços essenciais como oncologia e hemodiálise não encontraram vazão na rede existente.
De acordo com o Executivo, o Hospital de Câncer não possui estrutura para absorver a demanda atual da Santa Casa. Diante da necessidade de manter essas duas especialidades, a equipe técnica concluiu que a compra do imóvel seria a única saída viável, uma vez que manter apenas serviços isolados em um prédio histórico — que exige manutenção complexa e custosa — seria economicamente ineficiente.
Impasse financeiro e histórico
A Santa Casa está sob gestão estadual desde 2019, após uma crise financeira que levou ao fechamento da unidade. Desde então, o prédio foi a leilão pela Justiça do Trabalho para quitar R$ 48 milhões em dívidas trabalhistas com ex-funcionários, mas não houve lances vencedores.
Tentativas anteriores de venda e parcerias com a Assembleia Legislativa e a Prefeitura de Cuiabá também não avançaram:
Leilões: Terminaram sem interessados.
Ofertas privadas: Empresas de saúde chegaram a oferecer entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões, valores considerados insuficientes pela Justiça.
Destinação do recurso: O montante da venda será integralmente utilizado para pagar os direitos dos trabalhadores que aguardam há anos pelo acerto.
Com a entrada do Governo na disputa pela compra, a expectativa é que o imbróglio jurídico e social em torno do hospital seja finalmente resolvido.

