quarta-feira, março 25, 2026

Na CPI do Crime Organizado, Pedro Taques detalha elo entre Banco Master e irregularidades em MT

Compartilhar

Da Redação

O ex-governador e ex-senador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSB), prestou depoimento nesta quarta-feira (25.03) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado. Na oitiva, acompanhada de perto pela nossa equipe, Taques detalhou indícios de irregularidades em operações de crédito consignado e em um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa Oi.

Convocado como testemunha, Taques explicou que atua como advogado de entidades sindicais que representam cerca de 106 mil servidores estaduais. Segundo ele, a apuração começou em novembro de 2024, após relatos de descontos abusivos que comprometeram severamente a renda dos trabalhadores.

A “Investigação Defensiva” e o Banco Master

A apuração foi conduzida por meio de investigação defensiva — instrumento da OAB que permite a advogados colherem provas diretamente. Taques afirmou que a análise identificou a presença constante do Banco Master nas operações. “Fomos contratados pelos oito maiores sindicatos do Estado e, a partir daí, encontramos o Banco Master em todas as frentes”, declarou.

O ex-governador dividiu sua exposição em três eixos centrais:

  1. O sistema de crédito consignado;

  2. A relação entre o Banco Master e fundos ligados à Oi;

  3. Operações envolvendo o fundo da BR-163.

O Colapso dos Consignados

Ao detalhar a evolução dos juros, Taques apontou que, a partir de 2022, o cenário tornou-se insustentável. Enquanto entre 2003 e 2015 as taxas variavam entre 1,7% e 2,2%, a “terceira fase” do sistema elevou os juros para patamares de 4,7% a 5,5%, com margens de comprometimento de até 45%.

“Isso leva ao colapso da renda e ao superendividamento dos servidores. Entram satélites do Banco Master, que eu chamo de ‘tamboretes’ [sem autorização do Banco Central]. O servidor acredita que contrata com uma instituição séria, mas não é o caso”, alertou.

O Acordo de R$ 308 Milhões com a Oi

No segundo eixo, Taques questionou a legalidade de um acordo de R$ 308 milhões assinado em abril de 2024 entre o governo de MT e a Oi. Segundo o ex-governador, a empresa já havia perdido as disputas judiciais sobre o débito, mas o Estado optou pelo pagamento direto, ignorando o sistema de precatórios.

Ele revelou ainda um dado alarmante: o crédito teria sido adquirido anteriormente por um advogado por R$ 80 milhões, gerando um lucro desproporcional na transação final.

Fluxo Financeiro e Lavagem de Dinheiro

A investigação de Taques, baseada em 12 mil documentos da CVM, rastreou o destino do dinheiro. O montante teria sido direcionado aos fundos Royal Capital e Lotte World, geridos pelo próprio Banco Master. Dali, os recursos teriam percorrido uma cadeia financeira até chegar a empresas ligadas a pessoas próximas ao Governo do Estado.

“Hoje, a tipologia de lavagem de dinheiro é, notadamente, via fundos de investimento”, afirmou Taques, criticando a falta de fiscalização desses instrumentos financeiros. Todos os documentos citados foram entregues à CPI para análise dos senadores.

Recentes

Mais Lidas