Por Nelli Tirelli
Movimento descentraliza criação de empregos formais na cidade; região do Jardim dos Estados, que está ganhando um novo empreendimento do tipo, é uma das que mais tiveram aumento proporcional de vagas com carteira assinada nos últimos anos.
O número de trabalhadores formais atuando nos bairros de Várzea Grande vem crescendo progressivamente nos últimos 15 anos, num indicativo de que a economia da cidade está se descentralizando, à medida em que novos pólos comerciais se consolidam no município.
É o que apontam dados do Ministério do Trabalho obtidos pela Rais (Relação Anual de Informações Social) e disponibilizados no Painel de Indicadores de Várzea Grande, vinculado ao Plano Municipal de Desenvolvimento Econômico. Em 2010, a cidade tinha 39,8 mil trabalhadores formais; em 2021, esse número passava de 53,6 mil. Em fevereiro deste ano, o contingente superou 60 mil profissionais atuando com carteira assinada, conforme o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
O crescimento é de 50% entre 2010 e 2026. Os números revelam que há mais gente trabalhando formalmente em mais bairros do município, sugerindo que mais empresas estão operando em diferentes regiões de Várzea Grande, formando novas centralidades. É um termo difundido entre urbanistas para explicar o surgimento de novos pólos comerciais e de conveniências nas cidades.
O bairro Cristo Rei, por exemplo, tinha 1.077 trabalhadores formais em 2010. Em 2019, esse número saltou para 3.670, num aumento de 240% no período. No Jardim dos Estados, que está numa das regiões mais pujantes de Várzea Grande, havia 1.141 trabalhadores formais em 2010. Nove anos depois, já no final da década, eram 1.536 profissionais atuando na localidade – um avanço de 34% no período.
“A oferta de comércios, polos gastronômicos e de prestação de serviços em geral acompanha naturalmente o crescimento das cidades, fazendo com que elas se expandam para além das regiões centrais. E esse movimento ganha mais força com a estruturação de bairros planejados, que são pensados com o intuito também de estimular o setor produtivo no entorno dessas localidades”, analisa Jayne Ferrari, gestora de Portfólio do Grupo Trinus.Co., especializado no ramo imobiliário.
Expansão no PIB da cidade
Com um novo bairro planejado aberto sendo estruturado ao redor do Jardim dos Estados, o recém-lançado Vila Mercedes, Jayne Ferrari projeta a região, nos próximos anos, como uma das mais ativas na economia de Várzea Grande.
O PIB (Produto Interno Bruto) do município é um dos três maiores do Mato Grosso. Em 2020, o conjunto das riquezas de Várzea Grande somava R$ 9,1 bilhões, conforme a Seplag-MT (Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão). Em 2023, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), essa conta saltou para R$ 13,9 bilhões, uma expansão de 52% no período.

