Rayan Borges
O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, subiu à tribuna da Câmara de Vereadores nesta quinta-feira (28) para fazer uma denúncia grave contra a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL). Segundo Monge, o município realizou uma “pedalada fiscal” superior a R$ 100 milhões ao longo de 2025, retirando recursos que deveriam ter sido aplicados exclusivamente na Educação.
O ex-gestor afirmou que a crise financeira gerou um “colapso” na área, sendo este o verdadeiro motivo de sua saída do cargo — desmentindo boatos de que teria se afastado para atuar na campanha do ex-secretário de Estado, Alan Porto.
A ida de Monge ao Legislativo ocorreu após um convite para esclarecer outra acusação, feita por Abilio, sobre um suposto superfaturamento de R$ 80 milhões na compra de livros. Para o ex-secretário, a acusação do prefeito é uma tentativa de desviar o foco do problema real.
“Não podemos deixar que esse assunto seja uma cortina de fumaça para o que aconteceu e está acontecendo na Educação. No ano passado, nós cumprimos os 25% constitucionais (…) só que o dinheiro não foi para lá. Foi uma pedalada de mais de R$ 100 milhões”, discursou Monge.
De acordo com o ex-secretário, a manobra contábil está documentada na Comissão de Educação da Câmara, sob a ciência dos vereadores Mário Nadaf (PV), Michelly Alencar (União) e Daniel Monteiro (Republicanos), além do secretário de Finanças, Orlando Bussiki, e do contador-geral do município. Monge ressaltou que garantiu o empenho formal dos 25% constitucionais obrigatórios para evitar a inelegibilidade do prefeito, mas que o dinheiro físico foi desviado para outras despesas sem autorização legal.
O ex-secretário alertou ainda para as consequências sociais e econômicas do calote. Segundo ele, fornecedores sérios que prestaram serviços à prefeitura correm o risco de falir devido à falta de pagamento.
“Eu tenho tudo isso documentado (…) Mostrei detalhadamente o que tínhamos recebido do Fundeb e das verbas reais do governo federal”, pontuou.
A denúncia caiu como uma bomba nos bastidores do Palácio Alencastro e deve inflamar o plenário da Câmara, além de acionar o alerta de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e o Ministério Público.

