sexta-feira, 10 de julho de 2026

Sessão em Cuiabá é interrompida após grave desentendimento entre Maysa Leão e Demilson Nogueira

Compartilhar

Rayan Borges

A sessão da Câmara de Cuiabá transformou-se em um cenário de caos, gritaria e acusações mútuas na manhã desta quinta-feira (09). O estopim do desentendimento foi a disputa política em torno da instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) voltadas à educação, que culminou em uma intensa troca de farpas entre os vereadores Maysa Leão (Republicanos) e Demilson Nogueira (PP). O clima esquentou de vez quando a presidente da Casa, Paula Calil (PL), negou direito de resposta a Maysa, provocando a revolta da parlamentar e a paralisação temporária dos trabalhos.

A confusão começou quando Maysa Leão subiu à tribuna para criticar a suspensão da CPI do Estacionamento Rotativo — liderada por Eduardo Magalhães (Republicanos) — e a subsequente “correria” nos bastidores para o protocolo de novas investigações. Segundo a vereadora, logo após o encerramento do prazo da comissão anterior, Maria Avalone (PSDB) protocolou o desarquivamento de uma linha de investigação ampla.

Contudo, poucas horas depois, no fim da noite, Demilson Nogueira teria protocolado um novo pedido de CPI focado estritamente na compra de materiais didáticos. Para Maysa, a iniciativa foi uma manobra para “blindar a gestão municipal e abafar denúncias maiores”.

“Na data de ontem, após 120 dias, acabou a CPI do vereador Eduardo Magalhães. A Maria Avalone foi lá, às 16h58, e protocolou o desarquivamento. Hoje abrimos a sessão lendo o documento. Mas o vereador Demilson Nogueira, numa atitude patética, às 21h44, estava protocolando uma nova CPI para barrar a da Maria Avalone. Qual é o desespero? Por que não se pode investigar?”, disparou a parlamentar.

Maysa continuou o pronunciamento apontando supostos esquemas de superfaturamento na educação que estariam sendo ignorados pelo colega. “Tem kit bucal de R$ 11,99 sendo comprado por R$ 200. Tem denúncia de parquinho e cama superfaturados. Por que o desespero de protocolar uma CPI às 21h44 para barrar outra investigação? Que medo é esse?”, questionou, criticando também o procurador da Casa, Eustáquio Neto, a quem acusou de “instrumentalizar” o cargo.

O Contra-Ataque e a Exposição de Bastidores

O vereador Demilson Nogueira não aceitou as críticas e utilizou seu tempo de fala para contra-atacar. Em vez de se limitar ao mérito técnico das comissões, Demilson expôs antigas conversas e articulações políticas de bastidores, ironizando o adjetivo usado por Maysa e sugerindo ingratidão por parte da colega.

“Esse ‘pateta’ é aquele para quem você ligou pedindo apoio quando teve aquela comissão processante contra você. Esse ‘pateta’ é o mesmo que, dentro da sala da presidência, pediu paciência enquanto a Mara te descascava, dizendo que no plenário você seria salva. Não tem problema, está tudo certo, tá?”, rebateu o parlamentar.

A réplica revoltou Maysa, que imediatamente acionou a Mesa Diretora exigindo direito de resposta, alegando que sua dignidade pessoal e política havia sido atacada. No entanto, a presidente da Câmara, Paula Calil, manteve uma postura rígida e ignorou os apelos, tentando dar andamento à pauta.

“Não houve [ofensa], vereadora. Não ofendeu a sua honra, não desqualificou a sua honra. Próximo inscrito, próximo inscrito”, repetia Paula, enquanto o plenário se transformava em um bate-boca generalizado, com parlamentares de pé e gritos ecoando pelas galerias.

Diante do descontrole, a presidente ameaçou encerrar a sessão definitivamente. “Se os senhores não se acalmarem, nós vamos suspender os trabalhos”, alertou Paula, pontuando que a sessão já havia sido interrompida duas vezes naquela manhã.

Mesmo com os microfones cortados, Maysa permaneceu protestando veementemente. Apoiada na leitura do Regimento Interno feita pela primeira-secretária, Katiuscia Mantelli (Podemos), ela exigiu a palavra baseando-se nas regras da Casa.

“Artigo 140, inciso 3, do Regimento Interno desta Câmara: três minutos, em qualquer momento da sessão, para o vereador que foi citado nominalmente e atingido em sua honra. Eu fui atingida em minha honra e exijo o meu direito de resposta!”, bradou a vereadora em meio ao tumulto.

Recentes

Mais Lidas