Rayan Borges
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (29) a Operação Tomada de Contas, com o objetivo de investigar supostas irregularidades em contratos administrativos e pagamentos a servidores do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). Durante as diligências, os agentes apreenderam relógios de luxo, carros importados e uma grande quantidade de dinheiro em espécie — parte dele guardada em caixas e encontrado inclusive no porta-malas de um veículo (em notas de reais e euros).
Com a mobilização de mais de 180 policiais federais, são cumpridos 6 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas — que incluem o afastamento de sigilos bancários e fiscais e o sequestro de bens — foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Alvos e Locais da Investigação
Na sede do TCE-MT, as equipes da PF vasculharam os gabinetes e ambientes adjacentes dos conselheiros:
Sérgio Ricardo de Almeida
Guilherme Antonio Maluf
José Carlos Novelli
Alisson Carvalho de Alencar
A estação de trabalho do ex-conselheiro Valter Albano da Silva também foi alvo. Além disso, as equipes estiveram em cinco áreas administrativas estratégicas:
Consultoria Jurídica Geral
Secretaria Executiva de Gestão de Pessoas
Secretaria Executiva de Orçamento, Finanças e Contabilidade
Secretaria Executiva de Planejamento
Secretaria do Sistema de Controle Interno
Os mandados de busca também abrangeram as estações de trabalho de 13 servidores: Roseli Loss, Vitor Turri Romano, Jocimauro Bento do Carmo, Carlos Romeu Rodrigues Medeiros, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Gustavo Fernandes da Silva, Felipe José Glinke, Eneias Viegas da Silva, Maurício Marques Júnior, Adriangelo Barros Antunes, Edson Luiz Ribeiro de Oliveira, Adjair Roque Arruda e Carlos Alexandre Pereira.
A decisão judicial ainda autorizou o acesso a ambientes com dados em servidores próprios ou de terceiros (especialmente na área de TI), desde que pertinentes aos fatos investigados.
Es esquema investigado
De acordo com as investigações, a suspensão de contratos administrativos pode ter sido utilizada como mecanismo de pressão sobre fornecedores. A PF também apura indícios de tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos — com favorecimento a determinadas empresas —, além de divergências nos pagamentos feitos às contratadas.
Outro ponto central da apuração são as movimentações financeiras atípicas de servidores públicos, incluindo saques recorrentes em dinheiro vivo. Os investigadores tentam rastrear possíveis conexões entre créditos bancários e retiradas realizadas dentro das dependências do próprio tribunal.
Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Polícia Federal lembra que ser alvo de busca e apreensão não significa denúncia ou condenação, sendo garantido a todos os citados o direito à presunção de inocência.

