Rayan Borges
O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), autorizou o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) a investigar a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL). A investigação apura possíveis práticas ilícitas no Departamento de Água e Esgoto do município (DAE/VG).
As Provas e o Inquérito
A decisão baseia-se em um relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), que identificou indícios de crimes envolvendo pessoa com foro por prerrogativa de função. Entre os materiais apreendidos está um pendrive contendo áudios e documentos digitais que sugerem infrações penais.
“Autorizo a instauração de inquérito policial em face de Flávia Petersen Moretti para apuração de eventual prática de ilícitos, devendo a autoridade policial assegurar o sigilo necessário”, determinou o magistrado na decisão proferida em 29 de abril.
Suspeita de Prevaricação
De acordo com o Ministério Público (MPMT), há gravações sonoras atribuídas à prefeita que indicariam seu conhecimento sobre as irregularidades administrativas na autarquia. O MP sustenta que, embora não haja uma imputação formal neste momento, os áudios justificam a investigação por possível prevaricação e acobertamento.
Auditoria e “Religações Fantasmas”
O caso teve origem em uma notícia-crime apresentada por Luiz Felipe Camargo de Pereira, auditor contratado pelo DAE em 2025. O relatório técnico apontou:
Divergências nos dados de faturamento;
Registros atípicos de cortes e religações de água;
Suspeita de “religações fantasmas” para pagamento indevido de produtividade a servidores.
Segundo a denúncia, as apurações internas teriam sido interrompidas após mudanças na gestão administrativa do DAE.
Próximos Passos
O Naco deve realizar agora uma série de diligências, que incluem:
Perícia técnica e degravação dos áudios apreendidos;
Análise de sistemas (logs) do DAE/VG;
Oitivas de servidores e gestores citados;
Reclamação de contratos e documentos internos.
Outro Lado
Em nota oficial, a Prefeitura de Várzea Grande afirmou acompanhar a autorização do inquérito com “serenidade”. A gestão ressaltou que a medida é estritamente investigativa e não representa conclusão de culpa.
“A prefeitura permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiante de que os fatos serão devidamente apurados dentro do devido processo legal”, diz trecho do comunicado.

