Rayan Borges
Diante da repentina aliança entre os vereadores Paula Calil (PL) e Dilemário Alencar (União) — potenciais candidatos à presidência da Câmara Municipal de Cuiabá —, o vereador Ilde Taques (PSB) afirmou que seguirá articulando para ampliar sua base e descartou qualquer possibilidade de recuar da disputa. Segundo o parlamentar, ele conta atualmente com o compromisso firme de 13 colegas.
Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (23), Ilde garantiu que a atual presidente da Casa, Paula Calil, ainda está distante dos 18 votos necessários para alterar o Regimento Interno e viabilizar sua tentativa de reeleição.
As declarações ocorrem um dia após Dilemário Alencar comparecer a um jantar na residência de Paula, acompanhado por outros 13 vereadores. O encontro selou um acordo político: o grupo apoiará a mudança no regimento para permitir a reeleição de Paula; caso a proposta não avance até o dia 15 de julho, o bloco passará a sustentar a candidatura do próprio Dilemário à presidência.
“Eu comecei com praticamente 18 votos, mas o tabuleiro foi se movimentando. A Paula decidiu disputar e ontem, na reunião deles, havia 14 vereadores. De 14 para 18 ainda falta muito chão”, analisou Ilde.
Sobre a aproximação de Dilemário com o grupo governista, Ilde revelou ter sido pego de surpresa, mas ressaltou que foi comunicado pelo próprio colega logo após o jantar.
“O Dilemário me ligou depois da reunião e disse que assumiu o compromisso de votar pela mudança do regimento. Caso a alteração não passe, ele seria o candidato daquele grupo. Mas a matemática é clara: se não houver mudança de regimento, 14 votos não ganham eleição”, alfinetou.
Rachas no bloco governista e independência do Legislativo
Apesar do acordo firmado entre seus adversários, Ilde garantiu que continuará dialogando com integrantes do grupo de Paula Calil. Ele revelou que o consenso no bloco vizinho não é absoluto, especialmente sobre o nome de Dilemário como plano B.
“Converso com vereadores daquele grupo praticamente toda semana. Nem todos concordam que, se a Paula não puder disputar, o Dilemário deva ser o candidato. Pelo que sei, há outros vereadores ali que também pleiteiam a presidência.”
Ao defender a independência do Legislativo municipal, Ilde reafirmou a solidez de seu bloco e comentou os bastidores sobre a suposta interferência do prefeito Abilio Brunini (PL) na eleição da Mesa Diretora. Embora tenha evitado acusações diretas, o parlamentar relatou que os próprios colegas confirmam a atuação ativa do chefe do Executivo.
“Estou com 13 vereadores que deram a palavra e estão cumprindo. A Câmara não é uma secretaria onde se coloca e tira quem quer. É um parlamento composto por 27 vereadores, e todos têm direito ao voto e a pensar diferente. O prefeito fala publicamente que não interfere, mas a gente fica sabendo pelos colegas que ele está participando diretamente. Inclusive, parece que ele estava no jantar ontem. De minha parte, vou seguir fazendo meu trabalho e minha campanha”, concluiu.

