sábado, 13 de junho de 2026

TCE-MT vai investigar compra de livros didáticos em todas as prefeituras após denúncia de R$ 100 milhões em Cuiabá

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Rayan Borges

O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, anunciou que a Corte vai auditar os contratos de compra de livros didáticos de todos os municípios de Mato Grosso. A decisão de ampliar a fiscalização ocorreu após uma vistoria conjunta com o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, ao almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação.

Abilio denunciou supostas irregularidades em contratos que somam R$ 100 milhões, assinados pelo ex-secretário de Educação da capital, Amauri Monge — que também já atuou como secretário-adjunto na pasta a nível estadual.

“O Tribunal de Contas vai investigar todas as prefeituras e secretarias de educação. Nossos dados apontam que 62% dessas aquisições têm sido feitas por compra direta. Já temos praticamente todos os indicativos. Agora, vamos analisar as prestações de contas e, imediatamente, solicitar que cada prefeitura esclareça como e de quem comprou esse material didático”, afirmou Sérgio Ricardo.

O conselheiro destacou que a situação encontrada em Cuiabá acendeu um sinal de alerta para o restante do estado. “Se na Capital está acontecendo isso, o que não estará acontecendo nas outras prefeituras de Mato Grosso?”, questionou o presidente do TCE-MT, acrescentando que o profissional citado no caso é o mesmo que atuava nas compras da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Descarte de materiais e suspeitas de Inteligência Artificial

Durante a inspeção no almoxarifado, o prefeito Abilio Brunini apresentou ao presidente do TCE exemplares do livro “Educação Financeira & Consumo Consciente”. Destinados aos professores, os volumes nunca foram utilizados porque a disciplina sequer faz parte da grade curricular da rede municipal. Cada unidade custou R$ 115,00.

Segundo a denúncia, o galpão abriga cerca de 16 mil livros que correm o risco de serem descartados. “Ali tem 16 mil livros que serão jogados fora, que estão guardados, mas que não vão ser utilizados”, lamentou o conselheiro.

Acionados pelo prefeito, a Polícia Civil, a Polícia Federal e o Ministério Público Estadual (MPE) também receberam os documentos sobre os contratos firmados entre 2025 e 2026. A prefeitura aponta indícios graves, como:

  • Livros adquiridos por valores superfaturados que chegam a R$ 800 por unidade;

  • Materiais didáticos elaborados, em tese, com o uso de inteligência artificial (IA);

  • Contratos de licitação que giram em torno de R$ 80 milhões, dos quais R$ 21 milhões foram pagos no início deste ano.

O outro lado

O ex-secretário Amauri Monge declarou publicamente que não teme as investigações e negou qualquer irregularidade em sua gestão na pasta. “Sou totalmente favorável a qualquer levantamento feito pelo Tribunal de Contas do Estado”, limitou-se a dizer.

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