Rayan Borges
Uma reviravolta de última hora pode redefinir a disputa pelo Governo de Mato Grosso. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) decide nesta terça-feira (11) se mantém ou substitui Fábio Garcia (União Brasil) como candidato a vice-governador em sua chapa.
A segunda-feira (10) foi de extrema tensão no Palácio Paiaguás. Pivetta reuniu-se separadamente com o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e com o próprio Fábio Garcia para debater o futuro da composição eleitoral.
Interlocutores relatam que Pivetta está inclinado a retirar Fábio da vice. A medida enfrenta forte resistência de Mauro Mendes, principal articulador da indicação do correligionário. O embate entre Pivetta e Mauro foi tenso, com o ex-governador sinalizando que a substituição culminará no rompimento definitivo da aliança. Apesar da forte pressão, aliados afirmam que Pivetta manteve-se irredutível até a noite de segunda-feira quanto à decisão de mudar a chapa.
Operação da PF deflagra crise e aumenta pressão política
A balança pendeu contra a permanência de Fábio Garcia quatro dias após a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que investiga um acordo de R$ 308,1 milhões firmado em 2024 entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A. Fábio é citado em um dos núcleos descritos pela PF e reproduzidos na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O processo segue em andamento, e as citações da PF não configuram condenação.
Nos bastidores, contudo, a avaliação entregue a Pivetta é de que manter Fábio na vice provocará um desgaste político e eleitoral desnecessário logo na largada da campanha — fator determinante para fazer o governador reconsiderar a chapa anunciada há apenas uma semana.
Mauro Mendes estuda alternativas jurídicas para eventual rompimento
Diante da iminente substituição, Mauro Mendes deu início a consultas jurídicas para mapear os caminhos eleitorais do União Brasil caso o grupo rompa com Pivetta. Entre os cenários avaliados está a viabilidade de Mauro manter sua candidatura ao Senado fora da coligação encabeçada pelo Republicanos.
O movimento envolve uma equação complexa, visto que o União Brasil integra uma federação com o Progressistas (PP) e qualquer manobra depende de regras eleitorais rígidas e avais partidários. Embora não haja confirmação de rompimento até o momento, as análises jurídicas mostram que o grupo já se prepara para o pior cenário.
Definição sobre o novo vice pode ser fatiada
Confirmado como vice na chapa em 3 de agosto, Fábio Garcia também se reuniu com Pivetta nesta segunda-feira. Mesmo após o encontro, interlocutores garantem que o governador não recuou.
Ainda não há um nome definido para a vaga. Aliados tentam convencer Pivetta a apenas anunciar o afastamento de Fábio hoje, deixando a indicação do novo vice para um segundo momento das negociações.
Se concretizada, a mudança causará um forte solavanco no tabuleiro político mato-grossense: desmancha um acordo selado há poucos dias, abre uma ferida na relação entre Pivetta e Mauro Mendes e força toda a base aliada a reestruturar às pressas suas estratégias eleitorais.

